Minha alma pintou-se de preto no dia que partiste. Imaginei –me por fim pequena, perdida na imensidão de um mundo confuso, onde tu sempre estiveras, onde na verdade sempre estarás. As verdades transformadas em mentiras, vil crueldade que flagela a minha carne cansada, dias moribundos que enterrei ao teu lado.
As lágrimas ainda escorregam caprichosas na minha face que sempre desejaste ver sorridente. Que sentido possuem as coisas quando chegamos a esse lado? De que cor é a saudade no Céu?
Parece que estás aqui… Quase que consigo jurar que as tuas pegadas estão ao lado das minhas na estrada que trilho tão vagarosamente.
E as coisas que ficaram por dizer desapareceram com as cinzas que hoje és.
Afinal, o que é a morte senão somente mais uma prova, mais uma estrada, mais uma paragem, um fim, um recanto onde as magoas não se isolam nem sobrevivem na superfície cansada da pele fustigada pelos anos.
Para sempre aqui, nos castelos que crio na areia que nos viu viver.
In memoria a um familiar
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
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