quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

2010



Mais um ano que passou, na infinita correria do tempo. Passou rápido demais, assim como todos aqueles que passaram desde que tenho idade para escrever e pensar, desde que o primeiro dente do siso apareceu e os ténis 35 deixaram de servir. Neste dia, parámos para pensar na vida, nas voltas que ela deu, nos becos, nos abismos, nas pedras do caminho assim como as flores que plantamos ou aquelas que a tempestade nem deu tempo de ganhar raiz. Pensamos nos outros, em nós, no que deixamos por fazer, no bom e no mau que fizemos.
Não sou excepção. Penso nos que partiram para um sítio melhor e deixaram trago de saudade na boca, nas músicas que compuseram este ano, nas lágrimas, nos risos, na cor e no preto, nos gestos que me marcaram na pele um novo sentido. As mágoas deixo-as num banco, aquele que me sentei para descansar quando o presente, agora passado, me pesava nas costas. Solto o ar dos pulmões, respiro mais uma vez, e o filme da minha vida desenrola-se diante dos meus olhos, num pequeno conto ora de terror , ora de fadas.
Acredito em sorte, em azar, no karma, mas principalmente no destino. É ele que nos faz girar em torno do mundo e o mundo em torno de nós, que nos coloca no caminho as provas, as soluções, os enigmas, as lições e os fundos, os mundos contidos numa só estrada. Já não sou supersticiosa, acho que perdi esse dom numa esquina de uma idade qualquer sem que na realidade desse conta. Gosto de gatos pretos e de passar por de baixo de escadas, estendo roupa em dias de luar e em feriados. Bato apenas na madeira, quase de forma automática, sem ter bem a certeza porque o faço. Fica apenas o destino nas minhas veias. Acho que foi destino estar onde estou, fazer o que faço. E se o destino mandou em mim, porque não mandar também nele em tom de brincadeira?
Não como passas nas badaladas, não me meto em cima de uma cadeira, não bebo champanhe nem atiro dinheiro ao ar, não visto peças azuis. Visto-me como se fosse mais um dia, mais um , dos tantos que desejo passar em 2010. E enquanto as badaladas sussurram nos meus ouvidos como tambores, vou recordando cada pessoa que amo, e desejando que tenham tanta felicidade como eu espero ter. Que aportem em mim, como aporto nelas, que o destino não encruzilhe estradas nem crie becos, muito menos abismos.
Porque afinal de contas, 2010 pode ser o teu e o meu ano!

Boa passagem de ano.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O conto dos sapos e dos principes



Nunca sabemos como, onde e quando encontramos um príncipe. Sabemos que andam aí, muitos já comprometidos, outros tão assustados com a vida que preferem um livro ou um aquário de peixinhos reluzentes, a ter uma mulher ao lado. Mas a verdade é que os sapos estão em maior numero , e o mais provável é que 90% dos homens que passam por nós na rua serem sapos do que príncipes, já sem falar daqueles que são lobos em pele de cordeiros.
Odeio os sapos. São criaturas pegajosas, que deixam uma espécie de baba á sua passagem, que não servem para nada a não ser para sujar e estragar as coisas. São bastante parecidos com esses homens, que abrem a boca e nada conseguem dizer porque o dom da inteligência não chega a todos, deixam marcas chatas como o numero no telemóvel, ou contacto na porta do frigorífico, ou aquela meia que não era suposto estar no meio dos nossos lençóis.
Apanhei alguns sapos, uns mais viscosos que outros e comecei lentamente a perguntar-me se algum dia encontraria um príncipe. Meses e anos passaram, e tentei descobrir um… Contudo, os príncipes não são descobertos, pois são eles que nos descobrem. Podem estar num café a ler o jornal, a sair do trabalho atarefadamente, podem estar á conversa com os amigos, podem estar no meio de 30 pessoas que desconhecemos e sem que possamos dar conta nos dá a mão, só para nos acompanhar no caminho. Deixamos-nos ir, sem perceber nada, pensando e discutindo com as teias do nosso ser onde ele poderá estar. Cegas. O mundo nos cegou, os sapos nos cegaram de tal forma que não vemos onde andam os príncipes, mesmo quando estão ao nosso lado, colados, abismados, prontos e decididos na escolha que fizeram.
Os príncipes não dizem piropos baratos de engate, porque eles sabem que devagar conquistam. Não nos tentam agarrar de repente, sabem que têm tempo para o fazer, não nos deixam perceber que gostam de nós até que nós o queiramos. Os príncipes sorriem com os lábios, com o olhar, com o coração, fazem nos sentir quentes nos piores dias de inverno apenas com o seu toque, fazem nos acreditar que o pior dos dias pode ser o melhor de todos se o quisermos.
São aqueles que se sentam connosco no sofá, depois da conquista, e nos deixam ver as nossas series favoritas, são aqueles que não nos deixam sempre ganhar nas lutas de opiniões muito menos aqueles que nos fazem as vontades todas. Não são aqueles que nos levam a caros restaurantes, mas os que sabem que somos perfeitamente felizes com uma pizza. Vão ao cinema connosco, mas também ver os filmes que querem, aqueles que se preocupam se estamos doentes, e que nos dão o espaço para respirar. Não são aqueles que dizem sempre amo-te , mas os que o dizem por vezes mas verdadeiramente.
São eles, eles e só eles, que nos agarram para nunca cairmos mas que nos deixam bater com a cabeça na parede para saber o caminho correcto, que nos dão apoio e nos dizem as verdades, que não têm pressa porque sabem que terão todo o tempo do mundo para nos amar.
Existem demasiados sapos no mercado… passei meses e anos à procura de um, até que um dia, sem que desse conta, um pegou me na mão e levou me com ele.



Obrigada amor por existires