quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

A segunda estrada


Dreno do peito a angustia que me mata lentamente, pesado veneno que me consume e devora as veias, sedento demónio que aclama para si minha alma purgada.
Estilhaço as horas, fiéis servos do Inferno, que me encruzilham num labirinto de dor e lágrimas, onde os reflexos distorcem as imagens de um passado crucificado.
Abre os braços e recebe-me, na escuridão da noite que tomei como minha, nos silêncios perpétuos que me condenam a dar mais do que tenho. Partida…. Quebrada por dentro e por fora, chacinada numa guerra que perdi outrora. Lambo as feridas, caóticas cicatrizes que me queimam a pele massacrada pela vil crueldade humana.
Que meus punhais me libertam, me cortem, me marquem, para que nunca esqueça da solidão que me arrancou as entranhas e as manhas, a inocência dos olhos que nunca viram a realidade.
Deixa-me regressar a casa… recuperar o que eu perdi nas teias do destino, desvanecer no suspiro de mais uma hora sem sentido.
Falta algo… ou serei eu que sempre faltei dentro de mim? Abraça-me, a morte pode muito bem ser a segunda estrada.




Ser poeta e escritor é fingir dor onde ela não existe