
É fácil encarar a guerra.
Cola-se na cara o melhor sorriso, espanta-se da memória os bons e os maus momentos, como uma dona de casa atarefada que limpa do chão a mais pequena poeira.
Endireita-se a cabeça, penteia-se o cabelo, pintamos a cara como se fossemos para uma festa. Aquele baile há muito esperado, aquele onde somos a anfitriã desejada.
Olha-se o espelho das vaidades, num misto de terror e deslumbre, num misto de trago de morte desapontado. Esconde-se o coração nas profundezas da carne e enfrentamos o problema.
De peito aberto, sem causas ou resoluções, sem ideais ou falsos moralismos. Como elmo a carne cansada do tempo, como esperança o coração estilhaçado de outras batalhas.
Porque esperar as guerras quando as podemos comandar? Porque sofrer sem perceber se a verdade do mundo se encontra mesmo diante das nossas faces derrotadas?
Nada é perfeito, mas até a imperfeição pede um pouco de beleza.
É tão fácil esperar o esperado, como um velho vencido sentado num banco esquecido, aguardando pacientemente o seu último dia, o seu derradeiro suspiro. Não será a final de contas aquilo que todos nós fazemos? Sentados na vida, esperando que alguma coisa aconteça? Tremendo inquietos no fio da navalha mais incerta, nas cordas bambas de uma tempestade furiosa?
No final, a vida resume-se a um jogo de vencedores e vencidos, onde cada um nós desempenha um papel aterrorizadoramente decisivo.
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